Em Roraima, a Expoferr Show é um símbolo de identidade, desenvolvimento e valorização da cultura produtiva do estado. A história da Exposição-Feira Agropecuária de Roraima remonta aos tempos em que a simplicidade era a marca das relações comunitárias e o campo dividia espaço com as primeiras estruturas urbanas de Boa Vista.

Na coluna Minha Rua Fala, publicada ainda na época das edições impressas do Jornal Folha de Boa Vista, o jornalista, historiador e escritor Francisco Cândido destacou com emoção as origens da feira, trazendo à tona curiosidades e personagens que marcaram a memória coletiva dos roraimenses. “No local onde hoje estão instalados o Cartório Eleitoral, o Ministério Público Estadual e o escritório do Ministério da Agricultura, havia uma grande área de roça com arroz, milho, pasto para gado e árvores de taboca. Era propriedade do casal Alvino e Elvira de Albuquerque Lima. Foi ali que tudo começou”, lembrou seu Cândido.
Segundo ele, o então governador do Território Federal do Rio Branco, Hélio Magalhães de Araújo (1959-1961), adquiriu a área para a construção de um espaço destinado à exposição de gado e produtos da terra. O projeto teve continuidade com os governadores Djacir Cavalcante de Arruda e Clóvis Nova da Costa, que oficializaram a realização anual da Exposição-Feira Agropecuária de Roraima – mais tarde reconhecida pelo nome Expoferr.
Durante quase três décadas, a Expoferr foi a principal atração popular do então Território Federal. Francisco recorda com carinho do servidor público federal Djalma Lucas Parreira, figura essencial para a consolidação da feira. “Djalma foi o grande organizador da festa agropecuária, também da tradicional Festa do Arroz. Era um funcionário criativo, que inclusive desenhou o símbolo da Expoferr e coordenava todo o processo, desde a montagem dos estandes até as atrações culturais”, descreve.
A feira era um grande encontro da diversidade produtiva. Fazendeiros levavam seus melhores animais, agricultores exibiam frutas, hortaliças, doces e farinha de qualidade, enquanto indígenas comercializavam artesanato e alimentos típicos. A programação envolvia shows, rodeios e a tradicional escolha da Rainha da Feira, com a participação de jovens das colônias agrícolas do interior.

Seu Cândido também destacou a parceria marcante entre Djalma Parreira e Áureo Odilon de Souza Cruz, que dava voz e animação aos eventos da exposição. “São nomes que deixaram um legado para a história agrícola e cultural de Roraima”, pontua.
A Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação) reconhece a importância de resgatar e preservar essa memória, reafirmando o compromisso com o fortalecimento da Expoferr Show como um espaço de valorização da produção rural, da inovação tecnológica e da integração entre campo e cidade.
Desde sua nova sede no Parque de Exposições Dandãezinho, às margens da BR-174 Norte, a feira mantém viva a tradição iniciada na década de 1960. A cada edição, ela se reinventa, incorporando avanços, firmando parcerias e prestando homenagem àqueles que pavimentaram o caminho do desenvolvimento rural em Roraima. “A Expoferr é um patrimônio do povo roraimense. Preservar sua história é também garantir um futuro próspero e justo para quem vive da terra”, conclui seu Cândido.